
14.11.09
gramática

10.11.09
calendário infinito

dear,
há dias em que eu preciso inventar a paixão para não morrer. para não entregar os pontos, as fendas por trás dos joelhos, o doce da virilha. mas nem sempre é o melhor a ser feito. às vezes é preciso invocar o nome da guerra, criar a guerra no seio. arrasar o pavilhão de hibiscos cheio de cheiros de flor suada. tudo para extinguir a última porção de músculo, fazer das tripas o coração suado do menino. dear, há dias que preciso inventar a mim mesmo, borrar os limites da caricatura, fazer outro nariz, boca, queixo. talvez pintar os olhos de outra fundura, menos de eclipse e mais de buraco negro. encher o corpo da luz mais próxima, aquela, atravessadora de milhares de fragmentos e piscinas de sol. uma luz gêmea das lamparinas de querosene nas fazendas, das serestas à meia luz, das missas na penumbra do convento. mas nem sempre é o melhor caminho a reinvenção do amor. nem sempre. transgredir a potência do desejo, invalidar a fórmula de báskhara, reduzir o sentimento a um segundo grau, tudo, tudo menos o vazio. apareço eu, então, no jardim da pele para extrair qualquer raiz dos números quadrados, sem curva ou gesto de rosto. apareço eu, lavrador das enseadas, deitado na escuridão, há dias atrás, antes de morrer no meio de um calendário morto.
7.11.09
a última poeira

dear,
2.11.09
dos mortos, dia.
dear,30.10.09
desapareça.

17.10.09
réplica

dear:
[me devolve o silêncio depois, porque a carta você terá que abrir.] agora posso começar : a carta perdeu-se no meio da multidão. talvez porque não houvesse nada, nem linha, nem âncora. era só o volume do vazio que enviei. pelo prazer perverso de pagar na mesma moeda.
23.9.09
leãodade
dear, 19.9.09
o que dirá, marguerite duras?
honey,18.9.09
reiki lounge nº3

tenho comido brotos de trevo. para dar sorte. como com avidez todo o trevo que tenho, todo broto, na esperança de comer a sorte. é a sorte um trevo de quatro folhas. talvez a sorte de ter mais que um retrato 3x4 seu comigo. ou a sorte do futuro, do que vem ainda, depois do broto. então é missão do estômago saber o que o coração planta. igualmente a sua saber de tudo [ainda]. aprendi um novo sabor: torradas com geléia de damasco. cansei da amora e do morango, sobretudo das lembranças do seu corpo em mim e do cheiro dessas frutas nos pêlos de sua pele. a boca, os dedos, as coxas lambuzadas de geléia. eu sou abelha, eu sou o ferrão. noite passada tive sonhos: você aos doze anos; eu por doze vezes amando a infância e o vir-a-ser. eu era beija-flor e lambia o primeiro verde dos seus anos. era quase uma pedofilia, o amor. então como os brotos. quero ter a sorte de ser. e ter. há a loteria do amor, o grande globo de bolas cantadas e os números idênticos na cartela. eu aposto tudo o que posso. não preciso saber se faz o mesmo. eu só queria, só preciso, desejaria nunca ter conhecido: você. a cidade está perdida, por isso sei quando está aqui. as ruínas da terra santa ainda ficam espalhadas pelo asfalto, pela europa de cá. por três países desci do mundo e nem conto as coisas que vi acontecerem. vi três chorões chorando nas ruas, vi por três vezes meu retrato em preto e branco. um tornado, uma jaula, um cordeiro. ouvi dizer que eu amo o infinito. também me ouvi dizer o quanto amo enquanto como o desejo que sinto. de você, de você eu como o broto.
13.9.09
reiki lounge nº 2
my dear,